Surgiu um projeto cidadão independente do Metro de Madrid para reunir as queixas dos milhões de passageiros que usam diariamente a rede de metro da capital. O site«Termo de Madrid»reúne as denúncias que os utilizadores dos transportes públicos de Madrid fazem sobre as altas temperaturas no interior dos vagões, sobretudo através das redes sociais. E é que andar de metro no verão implica, muitas vezes, não só lidar com cortes em troços importantes, mas também passar muito calor.
Além de reunir os relatos dos cidadãos para cada uma das linhas e até mesmo para cada série de carruagens do metro, o site também mostra o chamado«Indicador Termo». Este não é «uma medição oficial da temperatura», mas sim um índice de 0 a 100 que resume os relatos dos cidadãos acumulados durante o verão para cada linha.
A medição combina a intensidade do calor relatada, o número de relatos efetivos e a percentagem do total estimado de carruagens da linha que aparecem nos relatos. Assim, os alertas traduzem-se num valor que pode ser «fresco» (0 pontos), «calor»(60) ou «inferno»(100). As ocorrências mais antigas perdem peso no cálculo com o passar do tempo.
Segundo o seu criador explica no site, a missão do «Termo de Madrid» é «criar um histórico e gráficos que mostrem o estado vergonhoso do metro, para dar visibilidade ao que há anos é evidente para os seus utilizadores». A plataforma pretende canalizar as queixas dos utilizadores para transformar as reclamações dispersas num conjunto de dados que demonstre, com números, que existe uma exigência dos cidadãos para a melhoria do estado dos sistemas de climatização do Metro de Madrid.
As linhas 1 e 5, as mais criticadas

A linha 1 é alvo da maior parte das críticas. O «calor inaceitável» e o «estado desastroso do ar condicionado» nos seus vagões, tal como ele próprio descreve no site, levaram o criador do «Termo de Madrid» a lançar a plataforma.
Depois da linha 1, a linha com o maior número de relatos é a 5. Outras, como a 6, a 3, a 2 ou a 10, apresentam números de relatos muito menores. Como se avisa no site, isto não é uma medição da temperatura em cada linha, mas sim da intensidade da participação dos cidadãos e das condições percebidas pelos passageiros.
Em declarações à Europa Press, o presidente da Federação Regional de Associações de Moradores (FRAVM), Jorge Nacarino, chamou a atenção precisamente para as linhas 1 e 5 e defendeu que o planeamento do Metro de Madrid dê prioridade «aos utilizadores» na hora de fazer investimentos. Nacarino garantiu que o problema surgiu devido ao atraso na adjudicação do contrato de manutenção por parte da Comunidade de Madrid, que, na sua opinião, não chegou a tempo.
Por seu lado, o conselheiro da Habitação, Transportes e Infraestruturas, Jorge Rodrigo, lembrou na conferência de imprensa após o Conselho de Governo que a Metro de Madrid anunciou em maio um investimento de 3,5 milhões de euros para melhorar os sistemas de climatização de 93 comboios das linhas 1 e 5. Em princípio, estão previstas intervenções em 744 aparelhos de ar condicionado nos comboios de ambas as linhas.