Um estudo recente realizado por investigadores da Universidade Politécnica de Madrid e da Universidade de Almeria revelou alguns paralelos surpreendentes entre o planeamento urbano de Washington D. C. e a cidade de Aranjuez. Publicado na revista americana Urban Planning and Development, o estudo mostra que o desenho urbano da cidade americana – onde se situa a Casa Branca – não só tomou como referência modelos europeus como Versalhes, mas inspirou-se diretamente no plano da vila madrilena.
Os especialistas defendem que Pierre L’Enfant, o cartógrafo encarregado por Thomas Jefferson e pelo Presidente George Washington de projetar a capital federal em 1791, adaptou o traçado de Aranjuez a uma nova escala para o contexto americano. Entre os paralelos encontrados, destacam-se a disposição estratégica dos seus principais edifícios, o sistema de 12 avenidas radiais que convergem em marcos simbólicos e uma rede de ruas com uma estrutura trapezoidal, muito caraterística do planeamento urbano de Aranjuez.
Planos de Aranjuez nas Cortes Europeias
A investigação, apoiada por análises cartográficas históricas, indica que L’Enfant utilizou o meandro do rio Potomac para refletir o meandro do Tejo em Aranjuez. Também reproduziu a localização e as funções dos grandes edifícios e traduziu os grandes jardins e espaços cerimoniais da cidade de Madrid em elementos icónicos como o National Mall e o alinhamento da Casa Branca com o Capitólio. Cristina Velilla Lucini, investigadora da UPM, explica que “não há documentos que provem que L’Enfant o conhecia, mas as provas falam por si”.
O acesso aos planos enviados por Carlos III a diferentes cortes europeias e os contactos entre urbanistas franceses e especialistas espanhóis da época reforçam a hipótese de influência direta.
O resultado é uma capital americana reconhecida internacionalmente – conhecida pela sua monumentalidade e eixos urbanos – que, segundo os investigadores, é de facto um eco alargado do modelo paisagístico e geométrico espanhol. A descoberta sublinha a importância de Aranjuez como referência urbana e cultural e reabre o debate sobre as influências europeias e a transferência de conhecimentos na história do planeamento urbano global.