O dia do eclipse aproxima-se e prevê-se que milhares de pessoas se desloquem para as zonas incluídas na faixa de totalidade para poderem admirar um fenómeno astronómico que não acontecia em Espanha desde 1905. A Comunidade de Madrid vai disponibilizar 52 pontos oficiais de observação, pensados para receber o afluxo de visitantes, dos quais 17 estão situados na Serra Norte da região.
Por lá, os moradores estão preocupados: o risco de incêndios vai ser «muito alto ou extremo» no dia 12 de agosto, como alertou a AEMET, e teme-se que a realização de eventos com muita gente perto de zonas florestais possa acabar numa catástrofe.
Israel Naveso, porta-voz do Sindicato dos Bombeiros, explicou ao EL PAÍS que, se dependesse deles,«não se realizaria nenhum evento com risco de incêndio e muito menos depois do incêndio, não só porque pode ocorrer outro incêndio, mas porque, devido ao grande número de pessoas que vai estar presente, pode haver qualquer incidente que aumente o número de acidentes».
Em Tres Cantos, tinha sido organizado um evento com música ao vivo, food trucks e oficinas na propriedade Valdeloshielos, mas na segunda-feira foi cancelado «devido ao risco de incêndios e às altas temperaturas». Outros municípios, como Cercedilla, vão manter as atividades porque os eventos decorrem em locais delimitados. Também Buitrago de Lozoya, onde está previsto um festival cujos 3 000 bilhetes gratuitos já se esgotaram, mantém a programação por enquanto.
Apesar do elevado risco de incêndios, só 30 dos 52 municípios madrilenhos com pontos de observação oficiais apresentaram um plano de emergência e evacuação e mantêm as atividades previstas para 12 de agosto. Por enquanto, a lista completa ainda não foi divulgada.
Preocupação entre os habitantes da Serra Norte de Madrid
No dia 5 de agosto, realizou-se em Buitrago de Lozoya uma manifestação convocada pela «Monte en Pie», uma plataforma de defesa da Serra Norte criada em julho, na sequência do incêndio que devastou 770 hectares em Lozoyuela. No evento, exigiu-se o cancelamento de eventos em zonas florestais, perto de árvores e de pastagens secas. Também se reclamou um «planodeprevenção» e a mobilização de «meios de segurança» no dia do eclipse, incluindo bombeiros florestais.
A plataforma pediu às câmaras municipais informações sobre o plano de emergência previsto para 12 de agosto. O seu porta-voz, Ignacio Martínez, explicou ao EL PAÍS que as respostas foram «muito ambíguas».«Não nos esclarecem quantos efetivos têm disponíveis, nem qual é o plano de emergência, nem quais são as vias de evacuação».
Nas suas redes sociais, a Monte en Pie pede-te que evites ir sozinho para a montanha ver o eclipse: «Não existe nenhum plano de evacuação nem de prevenção na zona, pelo que, em caso de emergência, a grande afluência de pessoas e veículos iria paralisar os acessos e a intervenção dos serviços de emergência».
A Associação para a Recuperação da Floresta Autóctona (ARBA) do Vale de Lozoya também manifestou preocupação com o impacto que as aglomerações previstas para o dia do eclipse vão causar no ambiente .
Tal como a Monte en Pie, a ARBA teme a chegada de milhares de pessoas que não estão familiarizadas com as precauções a tomar na montanha e que vão andar por fora dos pontos de observação oficiais. Qualquer descuido representa um risco: uma beata mal apagada, um fogão ou um carro estacionado sobre a vegetação seca podem ter consequências catastróficas.