A Telefónica está a estudar a possibilidade de vender a sua sede histórica na Gran Vía, depois de ter recebido uma proposta de compra não solicitada. De acordo com a agência americana Bloomberg, houve conversações dentro da empresa sobre a possibilidade de iniciar um processo de venda.
Embora ainda não tenha sido tomada nenhuma decisão, as fontes estimam o valor do imóvel entre 250 e 300 milhões de euros. Em ocasiões anteriores, a direção da Telefónica não se mostrou disposta a vender este edifício, que considerava fundamental para a identidade da empresa. Construído há 95 anos, foi o primeiro arranha-céus de Espanha e um símbolo do desenvolvimento tecnológico do país.
De acordo com as fontes da Bloomberg, não foram iniciadas quaisquer negociações com vista a uma possível transação, mas puderam confirmar que a empresa recebeu pelo menos uma proposta de compra nas últimas semanas.
Desde que Marc Murtra assumiu a presidência da Telefónica em janeiro de 2025, lançou um novo plano estratégico para renovar a empresa. Em várias ocasiões, afirmou a sua ambição de consolidar o sector na Europa e já acelerou a venda de algumas filiais na América Latina. No entanto, não se prevê que sejam tomadas quaisquer decisões antes de este roteiro estar concluído.
Ícone de modernidade

O edifício histórico da Telefónica, situado na Gran Vía 28, em Madrid, foi inaugurado em 1930. O projeto foi obra do arquiteto Luis Ignacio de Cárdenas, seguindo os modelos dos grandes arranha-céus americanos da época e das instalações da International Telephone and Telegraph, a empresa americana que criou a Telefónica.
Com quase 90 metros de altura, foi reconhecido como o primeiro arranha-céus de Espanha e trouxe um ar de modernidade a Madrid. Antes da conclusão das obras, já era protagonista de um acontecimento histórico, pois acolheu a primeira chamada transoceânica em 1929. A partir das suas instalações, o rei Afonso XIII pôde conversar com o então presidente dos Estados Unidos, Calvin Coolidge, que se encontrava na Câmara de Comércio de Washington.
Desde os anos 30, o edifício podia albergar até 1800 empregados, incluindo as primeiras telefonistas, cujo trabalho foi retratado na série Las chicas del cable. Atualmente, alberga a loja principal da Movistar e o Espacio Fundación Telefónica, dedicado a exposições, workshops, eventos e conferências.
O investimento
Embora não tenham sido divulgadas mais informações, a Bloomberg contextualizou esta possível venda no contexto do florescente mercado imobiliário ligado ao sector hoteleiro. A venda do edifício histórico da Telefónica poderá ser uma das maiores operações imobiliárias realizadas em Madrid nos últimos anos.
A agência americana recordou os grandes investimentos efectuados pelas cadeias hoteleiras nos últimos anos. Por exemplo, a Besant Capital adquiriu um edifício de escritórios na Gran Vía por 100 milhões de euros e também o hotel Nobu, propriedade do ator Robert de Niro, que planeia abrir nesta zona em 2026.