Neste remanso quente que é Madrid em agosto, há uma atração para quem fica: as suas verbenas (festas de rua). San Cayetano, San Lorenzo e La Paloma sucedem-se nestas semanas, entre tradições e concertos de rua, mas a polémica cresceu em torno destas últimas. No TikTok, surgiram contas como Paloma en Peligro, dedicadas exclusivamente ao problema: não se pode ouvir a música dos concertos.
Tradicionalmente, as festas de bairro – especialmente San Cayetano, San Lorenzo e La Paloma – eram sinónimo de música ao vivo até altas horas da madrugada e praças cheias de ambiente. No entanto, o aborrecimento dos habitantes do bairro de La Latina levou a que o volume fosse controlado e agora o descontentamento vem do outro lado, do público.
A raiz do problema reside na legislação em matéria de ruído em vigor na Comunidade de Madrid e na Câmara Municipal. Sob a égide da Lei 37/2003, sobre o ruído, e do seu desenvolvimento autónomo na Lei 5/2002 e no Regulamento de Proteção contra a Poluição Sonora e Térmica (OPCAT), os eventos musicais na via pública estão sujeitos a parâmetros cada vez mais exigentes.
Os limites de decibéis permitidos variam consoante o fuso horário, o tipo de zona e o facto de ser dia, tarde ou noite, mas, regra geral, durante as noites de festa, os concertos ao ar livre em Madrid não podem exceder 55 decibéis medidos na fachada e ainda menos durante as horas nocturnas. Este valor, na prática, é pouco superior ao ruído ambiente médio nas ruas movimentadas e muito inferior à potência habitual de qualquer concerto ou verbena de antigamente.

O ruído dos concertos é um problema de Madrid
Os protestos dos vizinhos contra o ruído têm vindo a aumentar noutras zonas do centro – com exemplos tão claros como @Ruido_Bernabeu – e acabaram por apertar ainda mais os controlos, limitando mesmo a programação nocturna das verbenas, que este ano terminam às 0:15 h na maioria dos dias e alguns concertos foram antecipados, como o Pol 3.14, na sexta-feira 15, que será às 21:30 h em vez das 23h.
Entre os exemplos mais recentes estão os concertos no Santiago Bernabéu, que, apesar de não serem na rua, foram sancionados por excederem largamente os níveis legais (o estádio foi multado em dezenas de milhares de euros em 2024 e 2025 por eventos de massas), enquanto nas verbenas, para evitar multas, optaram por reduzir drasticamente os decibéis em detrimento do espetáculo.
O dilema é agora evidente: teremos de escolher entre o direito ao repouso e o direito a viver uma cultura louca? A polémica está bem viva nos dias que correm e ainda não foi encontrada a fórmula para desfrutar da música sem incomodar as casas vizinhas.