O mapa dos aluguéis em Madrid voltou a ficar mais caro em janeiro, mas houve um distrito que se destacou com um aumento especialmente intenso. De acordo com o relatório mensal da Idealista, Villa de Vallecas foi o bairro onde o preço por metro quadrado mais aumentou, com um salto de 4,5% em apenas um mês. O aluguel médio lá ficou em 17,3 euros/m², de modo que um apartamento de 70 metros já custa cerca de 1.210 euros por mês, quando há apenas algumas semanas esse mesmo apartamento custava dezenas de euros a menos. É um aumento que supera até mesmo o de outros bairros em forte tensão, como Puente de Vallecas (+4,4%) ou Vicálvaro (+4,1%), todos muito acima do aumento médio da cidade, que foi de 1,8% em janeiro.
Os dados confirmam que a pressão sobre os bairros tradicionalmente mais «acessíveis» continua a aumentar. Enquanto o Centro ou Salamanca já atingiram máximos históricos de 27,5 e 28 euros/m² respetivamente, bairros como Villa de Vallecas, Puente de Vallecas ou Usera estão a reduzir a distância, com aumentos anuais entre 12% e 19%, o que os torna a nova frente quente do mercado de arrendamento. Em Villa de Vallecas, o preço é hoje 15,2% mais alto do que há um ano, e o bairro já está quase a atingir o seu próprio recorde histórico, marcado em 17,4 euros/m² em novembro de 2025.
As principais causas para que isso esteja a acontecer em Vallecas

Por trás deste aumento em janeiro, há vários fatores importantes. Por um lado, a procura: muitos inquilinos expulsos de zonas mais caras do centro da cidade olham para o sudeste em busca de preços um pouco mais acessíveis e boas ligações de transportes públicos, o que aumenta a concorrência por cada apartamento disponível.
Por outro lado, a oferta limitada: o parque habitacional para arrendamento nestes bairros não cresce ao ritmo da procura, e qualquer aumento do interesse traduz-se muito rapidamente em aumentos de preço. Assim, o que há alguns anos era visto como periferia acessível começa a tornar-se um território tensionado, onde encontrar um apartamento de 70 m² por mais de 1200 euros por mês é cada vez mais comum.