O encarecimento do mercado imobiliário já não se concentra apenas na capital de Madrid; este fenómeno está a alastrar-se com força à periferia, onde vários municípios registam aumentos de preços muito intensos e, em alguns casos, superiores a 20% em termos homólogos. Entre eles destaca-se Torrejón de Ardoz, que surge como uma das localidades com o encarecimento mais acentuado, num contexto de tensão máxima no mercado residencial madrileno.
Durante meses, o foco esteve nos bairros mais caros da capital, mas os dados mais recentes mostram uma clara deslocação da pressão sobre os preços para a área metropolitana. O aumento não afeta apenas zonas tradicionalmente procuradas pela sua proximidade a Madrid, como os bairros junto à M 30, mas também municípios que, até há pouco tempo, ainda eram vistos como alternativas mais acessíveis para comprar casa. O resultado é um panorama imobiliário cada vez mais homogéneo em termos de encarecimento.
Torrejón, o caso mais marcante

Torrejón de Ardoz tornou-se um dos nomes de referência do mercado madrileno devido à rapidez com que os seus preços sobem. No arrendamento, por exemplo, o preço médio por metro quadrado atingiu os 14,3 euros em janeiro de 2026, com um aumento anual de 18,3%, enquanto na venda os relatórios da Idealista e da Indomio situavam o metro quadrado em níveis que já refletem uma tensão muito notável.
A explicação combina vários fatores: a falta de oferta, a procura por habitação mais acessível em comparação com a capital, o efeito de arrastamento de Madrid e o interesse por municípios bem servidos de transportes para o centro. Torrejón, além disso, conta com uma localização estratégica no corredor do Henares e com boas ligações de transportes, o que a torna especialmente atraente para famílias e compradores que já não conseguem suportar os preços da capital.
Os números mostram um mercado cada vez mais exigente para o comprador médio. A Fotocasa situa o preço médio em Torrejón acima dos 2.900 euros por metro quadrado em alguns distritos e bairros, com diferenças internas claras entre zonas como Centro, Veredillas ou Soto del Henares. A Idealista, por sua vez, registava no final de 2025 um preço médio de 2.751 euros por metro quadrado à venda.
Se a oferta nova não acompanhar o crescimento da procura, a pressão sobre os preços continuará a alargar-se pela área metropolitana. Nesse cenário, municípios como Torrejón continuarão a ganhar protagonismo, mas também continuarão a perder parte da sua vantagem histórica como alternativas mais acessíveis a Madrid. A grande incógnita é se este aumento na periferia será um episódio pontual ou o início de uma reconfiguração mais profunda do mercado imobiliário residencial de Madrid.