O nome de Joan Manuel Serrat vai desaparecer de um dos edifícios municipais mais conhecidos de Algete.
A Câmara Municipal aprovou na semana passada a mudança de nome para que o edifício passe a chamar-se Cruz Epifanio Mateo Fernández, em reconhecimento àquele que acaba de ser declarado Filho Predileto da Vila. A decisão, apoiada pela equipa governamental formada pelo PP, UCIN e União Santo Domingo, abriu um debate que vai além da nova homenagem: a oposição considera que reconhecer uma figura local não exigia retirar o nome do cantor e compositor catalão.
A medida foi aprovada numa sessão extraordinária realizada à porta fechada, um pormenor que alimentou as críticas do PSOE e do Vecinos por Algete. Ambos os partidos apoiam o reconhecimento a Cruz Epifanio Mateo Fernández, conhecido no município pela sua trajetória ligada à música, à educação e à vida cultural local, mas rejeitam que a homenagem se faça substituindo um nome que estava associado ao edifício há cerca de vinte anos.
Uma mudança de nome que divide o município

A Câmara Municipal defende que o novo nome responde à vontade de reconhecer a contribuição histórica de Cruz Epifanio Mateo Fernández para a vida de Algete. Entre os seus méritos contam-se o seu trabalho como professor, diretor da Banda de Música Villa de Algete e promotor de várias iniciativas culturais no município.
O governo local argumenta também que Joan Manuel Serrat não tem uma ligação direta com a localidade e que não existe outro espaço municipal cujas características se encaixem melhor com a trajetória do vizinho homenageado.
A oposição, no entanto, acha que as duas figuras são compatíveis. Juan Jesús Valle, porta-voz do PSOE de Algete, defendeu publicamente que o município podia homenagear Cruz Epifanio sem tirar o nome de Serrat. O partido socialista entende que o cantor é uma figura cultural amplamente reconhecida e lembra que ele esteve presente na inauguração do edifício em 2007.
A Vecinos por Algete mantém uma posição semelhante. A formação apresentou alegações durante o período de consulta pública para tentar manter o nome atual do imóvel, argumentando que o nome de Serrat já faz parte da memória coletiva de muitos vizinhos.