Sentes que o asfalto te sufoca todos os verões? Não é imaginação tua, na verdade é um efeito muito específico com um nome igualmente concreto: chama-se efeito de ilha de calor.Madrid tem um problema com o betão, mas existe uma fórmula quase matemática para o resolver.
Praças como a Puerta del Sol ou a de Santa Ana deram prioridade ao cimento, obrigando os transeuntes a procurar abrigo nas horas de menos sol –ou debaixo de toldos que só aparecem no verão.
Mas, quando não há toldos, surge uma pergunta: quantas árvores são necessárias? A resposta está numa regra simples e fácil de lembrar que estabelece os mínimos para que uma cidade seja saudável. É conhecida como a regra do 3-30-300 e, se aplicada, transformaria a forma como vivemos em Madrid.
A regra 3-30-300: o manual para uma cidade mais saudável
A fórmula foi criada por Cecil Konijnendijk, um professor holandês especialista em ecologização urbana. Ele propõe três requisitos básicos: que cada cidadão consiga ver pelo menos 3 árvores da sua janela, que viva num bairro com 30% de cobertura vegetal (a sombra projetada pelas copas) e que tenha um parque ou espaço verde a não mais de 300 metros de casa.
Esses critérios, apoiados pela Greenpeace no seu relatório de 2021 «Reverdecer as cidades», equivalem a cerca de 50 m² de área verde por habitante. Madrid, no entanto, oferece apenas cerca de 21 m² por habitante, e de forma muito desigual entre os bairros. Enquanto algumas zonas têm parques, outras são verdadeiras «ilhas de calor».
O debate intensificou-se após polêmicas como o abate de árvores na Praça de Santa Ana ou artigos como o do The Guardian, que questionava por que razão a capital reduz a sua arborização se os verões estão cada vez mais quentes.
Mais árvores, melhor saúde
Viver num ambiente com mais natureza tem um impacto direto no bem-estar. O relatório da Greenpeace detalha como as zonas verdes ajudam a mitigar as altas temperaturas e o risco de inundações, além de atuarem como filtros naturais do ar e promoverem a biodiversidade. A nível pessoal, os benefícios são ainda maiores.
Está comprovado que o contacto com a vegetação melhora a saúde mental, reduz o stress e a fadiga. Também potencia a função cognitiva e diminui o risco de doenças e de mortalidade prematura. Em suma, viver perto de espaços verdes torna-nos mais saudáveis e felizes.